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Comunicação: Entre a Performance e a Autenticidade

Caminhos da Comunicação: Performance ou Autenticidade?

A comunicação, em sua essência, não é apenas um ato de transmitir informações, mas um processo que envolve compartilhar significados e valores. Ao analisar o termo “comunicação”, percebe-se que ele não é neutro; ele carrega as marcas culturais e os significados de cada época. Essa compreensão transcende a mera performance e reforça a necessidade de resgatar o uso da comunicação em sua forma mais autêntica.

A palavra “comunicação” deriva do latim e, desde sua origem, está intimamente ligada à ideia de comunhão — de congregar e partilhar significados em comum. Esse conceito ganhou força a partir do século XII, trazendo consigo a noção de comunidade. Apesar de parecer uma analogia simples, é vital lembrar que a verdadeira comunicação está fundamentalmente relacionada a uma abordagem comunitária, não apenas performática.

Com o surgimento da imprensa no século XV, houve uma expansão do termo “comunicação”, que passou a incorporar o uso de tecnologias para transmitir mensagens em larga escala. Nesse contexto, a dimensão performática da comunicação — focada na transmissão e na difusão — começou a ganhar mais espaço. No entanto, é essencial equilibrar o uso das técnicas com as conexões humanas e comunitárias, para que a comunicação não perca sua essência.

A Dualidade na Comunicação: Técnica e Humanidade

As tecnologias de comunicação evoluíram rapidamente desde o século XV até os dias atuais, promovendo um distanciamento geográfico e criando uma comunicação globalizada e virtual. Na era hipermoderna, as relações tendem a ser distantes e frequentemente mediadas por aparatos tecnológicos, o que pode enfraquecer o aspecto comunitário e humano da comunicação.

Não se trata de atribuir todos os males da sociedade ao uso da tecnologia. É importante reconhecer que, embora a tecnologia tenha facilitado a troca de informações, ela não deve substituir as dimensões humanas e comunitárias da comunicação. A proposta aqui é buscar um equilíbrio entre o uso dos aparatos tecnológicos e a necessidade de relações humanas genuínas.

A comunicação, quando reduzida a métricas como visualizações e likes — no estilo IBOPE — reflete o individualismo moderno. Nessa lógica, comunicar-se torna-se um ato centrado no “meu” resultado, desconsiderando a importância de gerar conexões significativas com a comunidade. Esse enfoque mercadológico revela uma perspectiva esquizofrênica que privilegia o espetáculo e a individualidade, características típicas dos valores hipermodernos.

Comunicação Autêntica: Resgatando o Essencial

É necessário questionar a exacerbação dos valores de mercado, que promovem o individualismo e a emancipação do sujeito ao extremo. A sociedade, ao adotar uma comunicação performática, corre o risco de se tornar um palco de espetáculos, onde o “deus hipermoderno” do espetáculo reina absoluto. Não se trata aqui de criticar o uso de técnicas de comunicação, mas de reforçar a necessidade de resgatar uma comunicação autêntica, que esteja verdadeiramente conectada ao ato de congregar.

Uma comunicação autêntica é aquela que, em vez de se concentrar em números e métricas, olha nos olhos e expressa humanidade. É uma comunicação que respeita o próximo, que valoriza a presença e que busca criar um espaço de comunhão genuína. Esse tipo de comunicação vai além da performance; ele é fundamentado na essência da interação humana e na construção de laços significativos.

A provocação, portanto, é repensar a comunicação em termos de seu propósito mais profundo: ela deve servir para unir, para construir, para congregar. E, nesse processo, é crucial encontrar um equilíbrio entre a técnica e a autenticidade, entre o uso da tecnologia e o respeito pelas relações humanas. É um chamado para que a comunicação recupere sua verdadeira função: ser um meio de expressão do nosso ser coletivo, de nossa humanidade compartilhada.

Pense nisso: O Desafio da Autenticidade

No mundo contemporâneo, onde a comunicação frequentemente se limita a aparências e performances, o verdadeiro desafio é resgatar sua autenticidade. A comunicação autêntica não se resume a transmitir mensagens, mas envolve criar conexões profundas e significativas, baseadas no respeito mútuo e na partilha de experiências. É um retorno às raízes, à ideia de comunhão, onde o objetivo é construir pontes e não apenas impressionar.

Que possamos, como indivíduos e como comunidades, reavaliar nossos métodos de comunicação e buscar um equilíbrio saudável entre o uso da tecnologia e o cultivo de relações humanas genuínas. Apenas assim seremos capazes de redescobrir o verdadeiro poder da comunicação: um poder que transforma, une e edifica.

Takeaways

  1. Comunicação como Comunhão: A comunicação autêntica é aquela que se baseia na comunhão, na partilha de significados comuns, e não apenas na transmissão performática de informações.
  2. Equilíbrio Necessário: É essencial encontrar um equilíbrio entre o uso de tecnologias e a valorização das conexões humanas para preservar a autenticidade da comunicação.
  3. Crítica ao Individualismo: A comunicação que prioriza métricas e resultados individuais reflete o individualismo moderno e deve ser repensada em prol de um enfoque comunitário.
  4. Desafios da Era Hipermoderna: Na sociedade atual, a comunicação precisa resistir à tendência de se tornar superficial e performática, resgatando o sentido de comunidade.
  5. Autenticidade como Resposta: O retorno a uma comunicação autêntica, fundamentada no respeito e na interação humana, é crucial para construir relações significativas e duradouras.
marloncamargo_
marloncamargo_
Doutor em comunicação e linguagens, atuo como consultor em planejamento estratégico e, sempre que posso, dedico meu tempo a ensinar e compartilhar conhecimento. Acredito que unir tecnologia, cultura e propósito é o caminho para construir pontes reais entre marcas e pessoas, transformando vidas e inspirando comunidades.

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